quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A importância de Thelema para FRA

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Thelema (Verdadeira Vontade) é uma Lei revelada ao mundo em 1904 e.v. pelo Mestre Therion (Aleister Crowley), através da recepção do Liber Al vel Legis - O Livro da Lei, chamado pelos thelemitas, "Documento fundamental do Aeon de Aquarius-Leo"; A Palavra Thelema foi adotada na FRA como uma "divisa", um "lema", proclamada na Missa e em alguns rituais de Grau. Desta forma, a FRA, embora tenha proclamado este lema, não é uma "Ordem Thelêmica", isto é, não tem a função de disseminar a Lei de Thelema no mundo.

O Mestre Huiracocha, como todos os nascidos antes de 1904 e.v., sendo um cristão-gnóstico, teve dificuldades de aceitar o Capítulo III do Liber Al vel Legis, onde é citado um expurgo das religiões do Aeon de Osíris, cuja fórmula iniciática tem por base a lenda do Deus Sacrificado. Assim nestas religiões (como o Cristianismo Ortodoxo), para se alcançar a Grande Obra é necessário a morte do ego para a libertação do Espírito. Mesmo contrário ao capítulo III do Livro da Lei, o Mestre Huiracocha não aprovava a morte do ego, mas sua transformação. Para isso elaborou os cursos de treinamento aonde este ego se voltava totalmente para a Grande Obra. Mesmo que muitos thelemitas não percebam isso, a FRA, embora um sistema completo e independente, de caráter Rosacruciano Gnóstico é, sem dúvida, uma das melhores percepções de como podemos ir do velho ao Novo Aeon. Bem, isso se o sistema não for desfigurado por falta de entendimento ou de propósito, por seus atuais dirigentes.

Mestre Therion é o Profeta do Novo Aeon, revelador de uma nova Lei, cujo método de Iniciação, chamado também de Grande Obra, visa a experiência essencial do ser humano: Visão e Conversação do Sagrado Anjo Guardião. Desta experiência mística única, podemos dizer que ela se realiza quando, alegoricamente, dizemos: "Os Céus se uniram à Terra; as Trevas se fundiram à Luz; o Noivo encontrou sua Amada, Alma Gêmea de sua Alma; eis o Casamento Alquímico, eis a Pedra Filosofal". Sem dúvida, este também foi a ideia do Mestre Huiracocha, explanada em sua linguagem rosacruciana e gnóstica, cujo elo é a Lei de Thelema, pois, seja o Mestre Therion ou Mestre Huiracocha, a Verdadeira Vontade é a Vontade Divina em nós.

Deste modo, a Lei de Thelema é vista como uma parte dos ensinamentos da FRA. O Mestre aplicou os princípios da Lei em sua exposição sobre os ensinamentos rosa-cruzes, porém considerou que necessitavam de uma "salvaguarda moral". Assim, adotou o axioma "Faze o que tu queres, mas sabe que darás conta de teus atos".

É incrível como muitos membros da FRA, não entendendo Crowley e sua Obra, tendo por base os comentários de críticos mordazes, recusam-se a perceber ou desconhecem que os Rituais dos Graus I e II são paráfrases adaptadas dos Capítulos I e II de Liber Al vel Legis, \um Sagrado Livro que mereceria ser estudado por cada membro da FRA, sem nenhum obstáculo. Seria de grande valia para um melhor entendimento dos rituais, pois trocados os trechos parafraseados, algumas verdades se tornam evidentes. Em nada alteraria a visão de Mestre Huiracocha, mas dariam aos membros uma nova visão. Sempre uso o exemplo: "Qual a metade de dois mais dois?" A maioria responde wue é dois  e montam a fórmula matemática (2+2)/2=2, Mas se montarmos a  expressao 2/2 +2 o resultado é 3, correto?". Perceberam ou n ão?

Assim, tire Thelema da FRA e mutilará o sistema desenvolvido pelo Mestre Huiracocha. Tire Thelema da FRA e cristalizar-se-á o Caminho e já não mais haverá referência ascensional, mas aquela do repetitivo círculo. A FRA é um profundo caminho. A obra do Dr. Krumm-Heller é um legado para o mundo, ele um verdadeiro iniciado e Mestre, um Rosa-Cruz. 


(Por Marcos Pagani, com adaptações de Acauã Silva)
segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Biografia de Mestre Huiracocha



Arnold Krumm-Heller – Soberano Comendador da FRA, Patriarca da Igreja Gnóstica - (1876-1949), nasceu na Alemanha, em 16 de abril de 1876, sob o signo astrológico de Áries. Estudou Medicina e Ciências Naturais na Alemanha, França, Suíça e México, concedendo-lhe a Universidade do México o título de Doutor Honoris Causa.

Colaborou em inúmeros jornais e revistas. Foi redator do Diário do Comércio, de Barcelona (1926). Realizou várias excursões científicas no Canadá, na Califórnia, em Cohuila, em Oaxaca, no México,  na América Central, no Peru, no Brasil, no norte do Chile, nas Ilhas Orcadas (Inglaterra), na Hungria, na Itália e no Oriente.

1876: Nascido em 15 de abril, na cidade de Siegen, Alemanha; região famosa por suas minas de ferro, a indústria do aço e mineração e escolas mecânicas. Filho de Ferdinand Krumm-Heller, Alemão, e Ernestina Krumm-Heller, Mexicana. Batizado com nome de Heinrich Arnold Krumm-Heller na Igreja Luterana local.

“Educado sob os carinhos de mãe exemplar, que tudo sacrificou pela minha educação. Tornei-me homem sem nunca me Ter dado ao trabalho de pensar, sequer, em filosofia e religião, deixando aos padres e aos especialistas a árdua tarefa dessas preocupações” (Autobiografia do Dr. Krumm- Heller).

“Educado sob os carinhos de mãe exemplar, que tudo sacrificou pela minha educação. Tornei-me homem sem nunca me Ter dado ao trabalho de pensar, sequer, em filosofia e religião, deixando aos padres e aos especialistas a árdua tarefa dessas preocupações” (Autobiografia do Dr. Krumm- Heller).

“Depois do último beijo de despedida, deixei a boa e santa mãezinha na Alemanha e parti, saudoso, em busca dessa terra que hoje, considero a minha segunda pátria; a América Latina. Fui residir, primeiramente, no Chile, um dos países mais adiantados e mais formoso do continente americano” (Autobiografia do Dr. Krumm-Heller).

1893: (Período Espiritista) Falece sua mãe, ele com 17 anos fica atormentado. Fato esse que causou grande comoção em sua vida e o despertou para os estudos espiritualistas. "Uma obra de Allan Kardec, uma filosofia que conhecia desde criança, era sua salvação. Aquela leitura o tirou fora do marasmo da sua aflição e conseguiu melhorar seu humor" (Tshade).

Para propagar o espiritismo, funda uma revista “El Reflejo Astral”. A revista o levou a entrar em contato com um espiritualista catalão, chamado Leon. Ele envia para Dr. Krumm-Heller diversas obras esotéricas, entre elas “A Doutrina Secreta” (1888), de H.P. Blavatsky.

“Mal coloquei-a em circulação, fui procurado por um Senhor de Barcelona que me felicitou pela propagação de tais idéias, em um país onde o fanatismo católico exercia tão decisiva influência. Ofereceu-me várias obras, entre as quais “Depois da morte”, de Leon Denis, e a “Doutrina Secreta”, de Blavatsky” (Autobiografia do Dr. Krumm-Heller).

1896: (Período Teosófico) Com 20 anos, entra em contato com a Sociedade Teosófica, e recebe instruções por correspondência. Pública o livro “Mi Sistema”, aparentemente uma compilação dos escritos da revista. E deixa de ser espírita.

“Eu e milhares de iniciados em ocultismo não negamos a realidade e a possibilidade do fenômeno espírita; na minha primeira conferência encontrareis a minha opinião a respeito. A diferença que existe entre os espíritas e os ocultistas é que os primeiros se valem de meios ou instrumentos para entrar em comunicação com o plano astral (o Além, como chamam) e nós desenvolvemos a faculdade que nos tornam, não passivos, inconscientes ou conduzidos por um guia, porém, ativos, conscientes (salvo casos especiais) e nos permitem, ingressar, voluntariamente, em outros planos. A obra de Blavatsky induziu-me a suspender a publicação da revista” (Autobiografia do Dr. Krumm- Heller).

1897: Casa-se no Chile com Rita Aguirre, sua primeira mulher. Dela nasce o primeiro filho, Hiram Krumm-Heller Aguirre. Dois meses após o casamento, ele se matrícula na Sociedade Teosófica. “Deixou de ser um espírita por sentimento e tornou-se um ocultista por consciência” (Tshade). Em 31 de março, do mesmo ano, Dr. Krumm-Heller é diplomado membro da Sociedade Teosófica, assinado pelo presidente Henry Stell Olcott (Revista “Rosa Cruz”, janeiro 1929, p.153).

As controvérsias de Dr. Krumm-Heller com a Sociedade Teosófica surgiram somente posteriormente, com a proclamação em 1923 de Annie Besant, presidente da Sociedade (1907), que Krishnamurti era o messias desta era. Dr. Krumm-Heller afirmou em seus escritos ser um verdadeiro teosofista, sem reviravoltas modernistas ou novas extravagâncias, em estrita observância e respeito aos estudos.

1898: (Período Martinista) Krumm-Heller muito impressionado pela vida do Marquês de Pasqually, Saint Martin, e de Eliphas Levi, escreve do Chile para o Diretor-Geral da Ordem Secreta do Martinismo, Papus (nome místico do doutor Gérard Encausse, médico, Diretor-Geral da Ordem Martinista, Presidente do Conselho da Ordem Kabalistica Rosa Cruz, maçom, membro da Golden Dawn no Templo de Ahathoor de Paris entre outros grupos e projetos). Este recomendou que conhecesse o representante da Ordem Martinita em Buenos Aires, Doutor H. Girgois, sob os cuidados do instrutor Arthur Clement.

(Período Indigenista) A Teosofia influenciou seu estudo do hermetismo em relação às religiões comparadas e aos cultos antigos. E o contato com os martinistas aproximou as possibilidades de realizar pesquisas de campo pela América do Sul junto com Dr. Girgois, autor de “Lo oculto en los aborígenes de la América del Sur”. Dr. Krumm-Heller viajou ao Chile e Argentina para estudar as tradições dos índios Mapuche.

“Blavatsky e outros haviam escrito com muito entusiasmo sobre restos arqueológicos dos Incas do Peru e dos astecas do México” (Autobiografia do Dr. Krumm-Heller). Sendo o Peru mais próximo, viajou para lá, e viajou a cavalo durante algum tempo e escavou as ruínas de Cuzco. Em seu livro “Del Incienso a la Osmoterapia”, diz como no oriente, as civilizações americanas sabiam o uso de essências e perfumes e ainda os índios Quechua e Aymara viajam por todo altiplano oferecendo suas ervas sagradas. Ali conheceu uma senhora que utilizava como medicamente folhas de coca, colhidas em determinadas fases da lua. Depois de visitar os restos arqueológicos de Cusco, recebeu informações sobre o Caminho Real (Capac Nan), um caminho enigmático com ruínas incas e pré-Inca, com uma vista muito partícular: “La Salida del Sol”, que ilumina toda floresta. Ele pega a trilha Antisuyo sai da cidade de Cusco até Antisuyo, visitando muitas ruínas, como Pisac. Na viagem, nas Chullpas (tumbas) de Ninamarka, perto de Cusco, na província de Paucartambo (3,000 metros acima o mar), Dr. Krumm-Heller entra em êxtase com a natureza e tem uma visão mística.

"Sentado em uma das ruínas mais famosas, contemplando ao meu redor esse panorama sublime (…). Sobreveio uma espécie de vertigem, um êxtase, no qual os mistérios da natureza se revelavam ante minha vista. As vibrações do grande todo se confundiam em mim tornando-me assim, simples microcosmos em relação ao macrocosmos" (Autobiografia do Dr. Krumm-Heller).

Essa experiência mística se repete em outros lugares de natureza exuberante, como Assmanshausen, Alemanha; Canal Smith, Terra do Fogo; Tirol, Cataratas do Niagara, Alpes Suíços e no Rincón de Maria, México. Krumm-Heller observa que ao estudar com Papus (Escola Hermética) conseguiu a chave para ter acesso à vontade de estados de êxtase místico, “Papus me deu o que eu ansiava por me apresentar ao verdadeiro caminho da iniciação; me deu as chaves que põem conscientemente sobre as vergas do mundo invisível, o anfiteatro da mansão dos mortos” (Autobiografia do Dr. Krumm-Heller).

Em Paucartambo – Cusco, Krumm Heller foi estabeleceu na casa de uma família alemã, chamada de Odmeister, então, começou sua pesquisa para na área agora chamada de “Tres Cruces” (4860 m), que fica em frente da montanha chamada “Apu Cañajhuay”. Lá entra em contato com a comunidade indígena dos Q'ero. Junto com os sacerdotes xamânicos dos Q'ero ou Altomesayoc, o Dr. Krumm-Heller participou de alguns ritos antigos. Em uma desses rituais, ele recebeu a influência espiritual que os Q'eros chamam de Huiracocha (Pilares Villa Ruben). O próprio Krumm-Heller confirma isso em sua revista em 1930, que diz: “embora em graus posteriores tenha dado outros nomes, eu gosto do primeiro, como ele traz memórias belas e sagradas”. Depois de Cusco, Krumm-Heller e Girgois viajam para Puerto de Mollendo em Arequipa. Girgois retorna para Buenos Aires e Krumm-Heller viaja para Europa.

1900: Dr. Krumm-Heller participa do Congresso Teosófico de Nurenberg, no qual apresenta sua pesquisa realizada na América: “O Culto do Sol entre os Incas Antigos”. Diz Krumm-Heller que estreitou relações com o famoso Doutor Franz Hartmann. Após o Congresso retorna ao México, mas volta à Europa novamente.

1902: (Período Maçônico) Época em que ele é iniciado no Rito Escocês Antigo e Aceito, na Alemanha. Nessa época aproximadamente, ele conhece pessoalmente Alberto de Sarak (Conde de Das), chefe do “Centre Esotérique Oriental” e fundador do “Oriental Esoteric Center of the United States, sob a obediência do Supreme Esoteric Council of the Initiates of Tibet”, na qual Krumm-Heller é feito membro, saindo em 1908. Conhece Franz Hartman (1838-1912). Começa estudar medicina e ciências naturais na Alemanha, França e Suiça.

1906: Aos 26 anos de idade, Arnold Krumm-Heller foi iniciado por Papus e sagrado ao sacerdócio da Ecclesia Gnostica. Huiracocha foi iniciado também na Ordem Martinista, mas de data incerta, na loja Hermanubis em Paris. Há influências do Martinismo existem na FRA. De ordem prática, principalmente as técnicas de vocalização (postura, entonação, gestual). Além, toda a preparação devocional para as práticas é de “inspiração” martinista (via cardíaca). Também foi iniciado na Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix.

Sobre a Igreja Gnóstica: O Patriarca Valentin II – Jules Doinel funda a Igreja Gnóstica da França (Église Gnostique de France, 1890) com base nas doutrinas teológicas de Simão o Mago, Valentin e Marcus, e com uma Liturgia Gnóstica complementar, de origem Cátara, ele compôs a sua Igreja Gnóstica. Jules Doniel chega a consagrar como Bispo, personagens como Papus (Tau Vincent, 1892), Fugarion (Tau Sophronius), Fabre de Essarts (Tau Synesius) e Lucien Chamuel (Tau Bardesane). Papus decreta então que a Igreja Gnóstica de Doinel, seria a Igreja oficial dos Martinistas. Em 1896, Synesius – Bispo Fabre de Essarts sucede o ex-patriarca. Ele consagra como bispos Léon Champrenaud (Tau Théophane/1870-1925), para Versailles; René Guénon (Tau Palingénius/1886-1951) para Alexandria e Jean Bricaud, da Ordem Martinista (Tau Johannes ou Jean, 1902) como Bispo de Lyon em 1901.

1907: Bricaud e Papus rompem com Fabre de Essart e fundam a dissidente Igreja Gnóstica Cathólica (Église Catholique, 1907), tornando-se a igreja oficial dos martinistas, possui como Patriaca Tau Vicent (1892-1911), posteriormente, Tau Jean (1908-1934). A Igreja Gnóstica da França permanece até Léon Champrenaud (Tau Theophane).

1908: “Congresso de Espiritualidade e Maçonaria” em Paris, por Papus, que aconteceu no templo parisiense da Loja Maçônica Droit Humain. Krumm-Heller iniciado no Rito Antigo e Primitivo de Memphis e Mizraim de Theodor Reuss, até o grau 97º.

Theodor Reuss (1855-1923), fundador da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) e membro da Golden Dawn, troca títulos com Papus e reveste o mesmo de poderes para estabelecer um Supremo Grande Conselho Geral dos Ritos Unidos da Antiga e Primitiva Maçonaria para o grande Oriente da França, delegando a Papus autoridade sobre os Ritos de Memphis e Mizraïm. Papus, Bricaud e Fugarion, por sua vez, conferem a Theodor Reuss o título de autoridade primaz sobre a Igreja Gnóstica Católica (IGC) que passa a fazer parte da O.T.O. E Papus, Bricaud e Fugarion mudaram o nome da igreja para Igreja Gnóstica Universal (Église Gnostique Universelle, 1908). Nesse momento há três vertentes gnósticas: a Igreja da França de Essarts, a Igreja Universal dos martinistas de Papus, a Igreja Católica de Reuss que posteriormente torna-se uma Igreja de cunho thelemita, nas mãos de Crowley. E por outra linha a Igreja Gnóstica de Eleusis do Dr. Peithmann (Basílides).

No Congresso, Krumm-Heller é nomeado, em 13 de março “Delegado Geral do Chile, Peru e Bolívia” da Ordem Martinista. Um mês depois, em Abril, ele recebe a autorização de Charles Détré para abrir lojas Martinistas. Krumm-Heller foi promovido a bispo da Igreja Gnóstica Universal e recebeu delegação para introduzir a jurisdição de seus cultos nos países de língua espanhola e portuguesa.

Ele também recebeu, sem custo, um documento de Theodor Reuss, datado 15 de março de 1908, a nomeação de “General Gross – Representanten für México” do Soberano Santuário do Antigo e Primitivo Rito de Memphis e Mizraim. Ocorre que no início de 1908, Theodor Reuss, inebriado com a fixa ideia de expandir sua Ordem e levá-la também as terras latinas, viu em Krumm-Heller essa oportunidade e o nomeou Representante Geral da Ordem para o México. Foi feito grau Xº O.T.O. para aquele país. Mas Krumm-Heller não desenvolveu nada que pretendia Reuss. Ele só utilizou o título de modo formal. Como na introdução do livro Logos, Mantram, Magia, Huiracocha declara abertamente que: “Yo […] que soy miembro de más de veinte sociedades secretas, como la O.T.O. y A. A. en los cuales tengo el último grado…”.

"Deste modo, embora com status legal de representante da O.T.O. de Reuss para o México, o fato é que Krumm-Heller simplesmente não chegou a desenvolver qualquer tipo de trabalho ou iniciativa, mínima que seja relacionada a esta ordem propriamente dita. Até mesmo pelo contrário, as poucas situações que o ligam ao líder universal da O.T.O. sugerem que ele de certo modo teria preferido, aos poucos, distanciar-se dos propósitos e da ideologia defendidos pela Ordem de Reuss" (Carlos Raposo).

OBS: Theodor Reuss (fundador da O.T.O. – Ordo Templi Orientis) havia nomeado, em 1908, o Dr. Arnold Krumm-Heller com o grau máximo OTO, grau este que lhe dava autoridade e poder de representar a O.T.O. em qualquer país. Já, Aleister Crowley, ingressou na O.T.O. de Reuss só em 1910 (dois anos depois) e somente ganhou o tal título em 1912, quando então tornou-se representante da O.T.O. na Grã-Bretanha.

1908: publica o livro “No Fornicarás”. Obra na qual explica de forma sintetizada alguns temas sobre magia sexual, que havia recebido de Papus e outros mestres da Europa.

“Se os irmãos Rosa-cruzes buscam obras gnósticas em bibliotecas, desde que os bibliotecários não tenham seguido o exemplo de São Jerônimo, de queimar todos os livros acerca de questões sexuais, encontrarão verdadeiras maravilhas, como eu encontrei, os Gnósticos que me deram as chaves da magia sexual. Alguns teósofos me chamam de mago negro, porque me ocupo desses assuntos, mas estão todos de acordo que em termos de autoridade de magia sexual, eu tenho realizado muitos anos essa disciplina, a mais de vinte anos, meu primeiro livro “No Fornicarás”, que era muito atraente. Hoje só encontrado em bibliotecas” (Dr. Krumm-Heller, Revista Rosa-Cruz, 1930).

1908-1909: Em seu retorno da Europa, após a conclusão dos cursos de Medicina, viaja para o México, se filia à Gran Logia Masonica Valle de México, que tinha como V.M. Ramón I. Guzmán. É iniciado no grau 30º Cavaleiro Kadosh. Posteriormente, Krumm-Heller chega ao grau 33º de Soberano Inspetor Geral do Rito Escocês Antigo e Aceito, quando regressou para Europa, anos mais tarde. Ele atua como médico homeopata da escola de Samuel Hahnemann. Ele também funda a loja martinista, dirigida pelo Coronel Alfonso Montenegro.

No México, ocupou, por alguns anos, o cargo de Professor de línguas, na Escola Nacional Preparatória e foi Inspetor de escolas estrangeiras, no Ministério de Instrução Pública.

1910: publica o livro “Los Tattwas y su aplicación en la vida diaria”.

1911: Krumm-Heller se tornou médico particular de Madero, no início de 1911. Ele publica o livro “Humboldt” e “El Zodiaco Azteca en comparación con el de los Incas”.

1912: publica o livro “La Ley de Karma”.

1913: no caos político, seu amigo maçom, Francisco Madero (líder da Revolução Mexicana de 1910 e Presidente do México 1911-1913) morre. Krumm-Heller é obrigado a morar no interior do México. Atua como Médico Diretor do Hospital Militar de Tampico.

Em junho de 1913, o governo Victoriano Huerta prende Krumm-Heller por hospedar um “encontro de socialistas e anarquistas.” A Alemanha interveio em sua libertação, mas o considera doido. Dr. Krumm-Heller viaja para Guatemala e no México pesquisando a língua Nahua e seus dialetos, e as culturas maia e asteca.

Krumm-Heller reaparece em El Paso, no verão de 1913, reuniu-se com Carranza. Ele tornou-se chefe da artilharia do general Obregon, uma divisão com muitos mercenários alemães e americanos. Krumm-Heller publica o livro “Conferencias esotéricas”.

De acordo com a American Military Intelligence Division MID, Krumm-Heller trabalhou no Serviço Secreto mexicano em janeiro de 1912. Um ano mais tarde, depois do assassinato de Madero, Krumm-Heller se tornou um agente secreto para Carranza, que o enviou em missões diplomáticas para o Texas. O então governador Ferguson, com a insistência do agente do serviço secreto alemão, foi o primeiro estado dos EUA a reconhecer formalmente os constitucionalistas como governo legítimo do México. Carranza também enviou Krumm-Heller em missões diplomáticas para a Argentina e Chile. No Exército obteve a patente de Coronel Médico Militar. Ocupou o cargo de diretor Geral das Escolas Militares.

1914: Victoriano Huerta deixa a presidência do México e as tropas de Venustiano Carranza são vitoriosas. Entretanto, as tropas de Pancho Villa e Zapata atacam.

1915-1918: Dr. Krumm-Heller retorna para Europa. Na Primeira Guerra Mundial, Krumm-Heller trabalhou para o serviço secreto alemão. Em uma missão para a Alemanha, as autoridades britânicas prenderam em Falmouth como um espião. Por causa de sua cidadania mexicana ele retorna para Berlim, onde o agente passou o resto da guerra como o adido militar da embaixada mexicana na Suiça e Alemanha.

1916: Morre Papus. Charles Detré assumiu Memphis-Mizraim e Martinismo até sua morte em 1918. E Bricaud a Igreja Gnóstica. Neste ano, Dr. Krumm-Heller recebe o título acadêmico “Doctor Honoris Causa”, no México.

1916: Krumm-Heller publica o livro "Für Freihert und Rect.

1917: Após a vitória de Carranza, Dr. Krumm-Heller atua como representante diplomático do México na Europa. Viajando para diversos países. Enquanto no México, ele também fundou a Sociedade da Cruz de Ferro, uma ordem germânico-imperialista, com Carranza como chefe e ele mesmo como secretário. Para ele, o México de Carranza resistiria à tentação dos EUA, e seguiria o chamado espiritual da Alemanha, redescobrindo seu passado da raça Asteca.

1917: publica o livro “Alfredo” e “Hertha das Strasenmädchen”.

1918: fim da Primeira Guerra.

1918: publica o livro “Der Rosencreuzer aus México” e “México Mein Vaterland”.

1920: morre o Presidente Carranza no México. Ele regressa para Alemanha e atua como agente diplomático do governo mexicano na Alemanha e Suíça, até o governo de Obregon.

Nessa época ele se casa novamente, com Carlota Krumm-Heller de cuja união nascem Guadalupe, Cuauhtemoc, Parsival e Sieglinde. Ele também vende produtos homeopáticos e naturais.

1920: nessa década conheceu Rudolph Steiner (1861-1925), o fundador da Sociedade Antroposófica. Rudolph Steiner era membro e secretário da Sociedade Teosófica, ramificação alemã que não estava diretamente vinculada ao movimento de Helena P. Blavatsky. Em 1912, Steiner se uniria a alguns dissidentes da Sociedade Teosófica e fundaria a Sociedade Antroposófica.

Neste ano, o livreiro Tränker funda então uma nova ordem rosacruciana em Berlim, na forma de uma editora. Tränker havia lido a palavra Pansophia em algum trabalho Rosa-Cruz de Comenius (1592-1670), e Dr. Krumm-Heller usava o selo “SOCIETAS PANSOPHIA” (Sociedade Pansófica) em suas cartas. Ela significa todo o conhecimento. A ele, o Mestre Huiracocha dedicou a obra “Logos, Mantram, Magia”, ao lado de Aleister Crowley (Perdurabo) e Peithman (Basilides). Franz Bardon também fazia parte da sociedade.

1921: aparece o primeiro número da Revista “Der Rosenkreuzer”. Dr. Krumm-Heller apresentava-se publicamente, ao lado de Theodor Reuss (Peregrinus), como membro do círculo hermético de Rosacruzes alemães anteriormente capitaneados por Karl Kellner e Franz Hartmann.

1923: falece Theodor Reuss.

1924: (Período Rosa Cruz) Arnold Krumm-Heller reside na Espanha, onde (aliado ao excelso Mestre Saint Germain o instrui no astral) se acercou da Loja Branca de Montserrat (Barcelona). Lá se encontra o Santo Graal Místico da Rosa-Cruz. Depreende-se, da oração do Bendito Seja, como em Montserrat, nos Hahuas, Krumm-Heller também pode ter recebido alguma iniciação. Começa seu apostolado como Mestre Rosa Cruz quando traduz em espanhol seu romance “Der Rosencreuzer aus México”.

1925: As duas ordens herdeiras da Pansophia, a Ordem das Fadas e dos Mosqueteiros da Rosa-cruz, em 1928, (hoje Fraternitas Rosicruciana Antiqua) e a Fraternitas Saturni, em 1925, (hoje Ordo Saturni), ambas estabelecidas após a Convenção de Weida – na qual Arnoldo Krumm-Heller se fez representar pela Irmã Martha Kuntzel –, foram as duas primeiras Fraternidades iniciáticas a incorporar a chamada Lei de Thelema sem submeterem-se à chefia do Mestre Therion (Aleister Crowley).

1926: publica o livro “Rosa Cruz”. Tränker mantêm a Loja Pansophica independente até seu fechamento em 1926.

1927: Dr. Krumm-Heller começou em Badalona (perto de Barcelona) a publicação da revista Rosa-cruz, inicialmente no México, depois de ampla tiragem para todos os países da América Latina. Lá trabalha como editor do “Diario de Comercio”. A revista abordava várias questões, entre saúde, astrologia, doutrina Rosa-cruz, tatwas, alquimia, naturalismo, mantras, gnosticismo e medicina espiritual, bem como notícias do mundo e dicas de leituras.

Nesse tempo, Krumm-Heller inicialmente deu autoridade a H. Spencer Lewis para operar a FRA nos EUA. No entanto, mais tarde ele cortou seus laços com Lewis, porque ele passou a acreditar que a AMORC foi sendo operada como um negócio, e não como uma fraternidade de caridade. Mais tarde ele se ligou com R. Swinburne Clymer, FRC (Fraternitas Rosae Crucis).

1927: publica o livro “Tratado de Quirología Médica” e “El Tattwámetro o las Vibraciones del Éter”.

1928: publica o livro “El Secreto de la Suerte”.

1928: No terceiro volume, do ano II (1928) da revista, o Dr. Krumm-Heller anunciava, em sua Revista Rosa-Cruz, a criação de uma “nova seção, sob os auspícios e a proteção do Templo Central, nomeada de Fadas e Mosqueteiros Rosa-Cruz”, de declarada inspiração Arturiana, cerimonialmente instalada com a assistência do “Maestro Recnartus” (Heinrich Tränker, da Pansophia) e voltada especialmente “aos jovens e às damas”. Era a Ordem das Fadas e dos Mosqueteiros da Rosa-Cruz. Tränker havia imantado astralmente o primeiro o templo e também o primeiro ritual de inspiração Thelêmica. O axioma “Faze o que tu queres”, foi acrescentado uma admoestação de Krumm-Heller, no sentido de que “tereis de dar conta de todos os vossos atos”, essa frase foi cunhada no Ritual Pansófico ANTES da Conferência de Weida. Eles ainda estavam começando a estudar e a tentar entender Thelema. Assim, a primeira Aula Lucis foi fundada na Espanha, em 1928, ano de elaboração do ritual do 1º grau.

Diz Marcelo Alexandrino, quando se compreende a natureza da Lei Thelêmica, percebe-se que a admoestação do Ritual Pansófico e do Ritual R+ do Mestre Huiracocha não tem nenhum sentido, pois os atos de acordo com a Verdadeira Vontade estão em harmonia com a Natureza divina, não havendo do que “prestar contas”; O Dr. Krumm não falava Inglês. Ele copiou a frase do Ritual Pansófico, do Tränker, que também não falava inglês.

1928: A revista teve forte crítica do clero de Barcelona e o Mestre foi excomungado por isso. Fugindo da Espanha, Dr. Krumm-Heller volta para Alemanha, ajudado por alguns discípulos em um pequeno barco.

1929: Estabelece o S.S.S. em Berlim. A difusão de ideias rosacrucianas, através da revista e livros, fez o Mestre se corresponder com vários leitores. Por cartas ele organizou os primeiros grupos de estudo no México. Em março de 1929, a partir do Summun Supremun Sanctuarium em Berlim, ele distribuiu o seu Curso Zodiacal, entre os assinantes da revista. Em seguida, a sua presença em salas de aulas tornou-se necessária, por isso fez um turnê continental em vários países da América Latina de 1929 à 1930, consagrando diversas Aulas Lucis. Em 1931, ele conclui o Curso Zodiacal (com 12 lições), interrompido pela viagem, e inicia o Curso de Magia Rúnica até 1933. Em 1948, registra os Cursos de Cabala, Taumaturgia. O Curso de Magia Superior foi terminado em 1951. Os cursos têm conexão clara com a proposta da Sociedade Pansófica de Tränker. Em Buenos Aires, a primeira cidade de sua turnê, ele realiza o primeiro ritual R+C nas Américas.

1929: outra possível data para sua iniciação incaica (Andes peruanos: Cuzco – Machu Pichu), quando recebeu o cognome de HUIRACOCHA.

1930: em 7 de junho, Crowley, Karl Germer (Mestre da OTO após Crowley) se reuniu com Krumm-Heller em Berlim, Alemanha. A influência do Crowley vinha desde que Krumm-Heller era membro da Pansophia. Entretanto, para FRA, a divisa Thelema, a Verdadeira Vontade, é um princípio universal, atemporal (nada tem a ver com æons), onde a Vontade de Deus é expressa de maneira natural em nós, conduzindo-nos à verdadeira compreensão de seus propósitos. Extrapolando, poderíamos comparar Thelema, na visão da FRA, à Gnosis que nos reconduz à Casa do Pai. O que temos que notar é que a FRA não falava de Thelema, nem como divisa, nem publicou em sua “Revista Rosacruz”, nenhum escrito de Crowley antes de 1930, exatamente o ano que Krumm-Heller o conheceu pessoalmente.

1930: Na revista Rosa Cruz vol. IV, n° 3, Arnold Krumm-Heller escreve: "Fui ordenado Bispo da Igreja Gnóstica em 1930 de acordo com o padrão ordenado, e algumas semanas depois de um congresso realizado em Londres pelas dignidades altas da antiga Igreja Gnóstica, decidi reviver esta igreja da dormência. Visitei Patriarca Basilides, e ele confirmou os meus poderes para criar congregações e paróquias na Espanha e na América."

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O Patriarca da Igreja Gnóstica era o Patriarca Basilides (doutor alemão E. C. H. Peithmann), cujo pseudônimo era rememorativo do filósofo gnóstico homônimo. Os anais registram que o bispo Huiracocha foi designado para suceder ao falecido doutor E. C. H. Peithmann (arcebispo e Patriarca da Igreja Gnóstica na Alemanha). Peithmann era membro da Ordem Graal (fundada em 1893). Após sua saída da Ordem Graal, tornou-se o fundador de uma “Igreja Gnóstica de Eleusis” (Gnostische Mysterienschule/Altgnostische Kirche von Eleusis) dedicado à “transformação da energia sexual” e a “libertação da semente da servidão”. Interessante fato é que Peithmann publicava no “Hain der Isis” publicação na qual a partir de 1930, atacava regularmente Crowley.

O Mestre Huiracocha incorporou então à F.R.A. (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) a Antiga Igreja Gnóstica de Eleusis do Dr. Peithmann. E torna-se Patriarca da Igreja Gnóstica.

1930: publica os livros “Logos, Mantram, Magia”, “Biorritmo” e “Rosa Esotérica”.

1931: publica o livro “Igreja Gnóstica”. A Revista “Rosa Cruz” chega a uma tiragem de 5000 exemplares por edição. A revista foi a ponte entre o Mestre e os discípulos no mundo. Ele recebia inúmeras cartas de diversos países.

1931: após a publicação do livro “Igreja Gnóstica” é sagrado Arcebispo por Basilides.

1932: designou seu discípulo Giuseppe Cagliostro Cambareri para o representar no Brasil.

1933: Krumm-Heller emitiu 3 mandados para o Brasil, e outro em 1934. A FRA nesse momento era chamada de Fraternidade Branca Rosa Cruz Antiga e pretendia ser uma continuação de Franz Hartmann. Elas continham o selo da FRATERNITAS ROSICRUCIANA ANTIQUA – ORDO TEMPELI ORIENTIS – FRATERNITAS HERMETICA LUCIS – SOCIETAS PANSOPHIA.

1934: publica o livro “Plantas sagradas” e “Del incienso a la Osmoterapia”.

1936: Em novembro desse ano, o Dr. Krumm-Heller visita o Rio de Janeiro como passageiro do navio “General Artigas”, sendo recebido por inúmeros adeptos de várias organizações espiritualistas e muitos jornalistas, tendo se hospedado na casa do Irmão J. Nicolau Tinoco, em Copacabana. Durante sua permanência no Brasil, realizou palestras científicas no Rio, São Paulo e em Campos. Então, aos 2 dias do mês de novembro do ano de 1936, na rua Desembargador Isidro, n. 166, Tijuca, Rio de Janeiro, foi criada a Igreja Gnóstica no Brasil.

1936-37: um panfleto “Der Judenkenner” foi publicado, na qual dizia que Krumm-Heller e o falecido Theodor Reuss eram agentes da “conspiração judeu maçônica”. Sua biblioteca pessoal é confiscada pelo regime nazista. Em 1942, em uma carta, Hitler responde do escritório de propaganda nazista ao Dr. Krumm sobre o confisco de sua biblioteca garante que não haverá mais ações injustificadas contra ele.

Marcelo Alexandrino diz: Nas revistas Rosacruz, há artigos do Dr. Krumm que versam sobre o que ele chamava de “Hitlerismo”. Existem comentários na Revista e nos Cursos, especialmente no de Magia Rúnica, que são condenáveis, dado seu conteúdo racista e sua defesa da eugenia (na FRC, de Clymer, isso também ocorria – v. Curso de Ciência da Alma). Mas repito, tudo deve ser analisado de acordo com o contexto histórico e com o ambiente ocultista. Precisamos entender que as ordens ocultistas sempre foram e ainda são elitistas (iniciados x profanos). Além disso, era forte a influência da ideologia da Sociedade Thule, da ariosofia e das ideias de Guido von List nos círculos iniciáticos germânicos. O que quero dizer é que essas ideias permeavam o ocultismo germânico daquele tempo. Não era uma característica do Dr. Krumm, mas de seus contemporâneos. Mais tarde, esses mesmos ocultistas passaram a ser perseguidos. Gregorius (Fraternitas Saturni) buscou refúgio no exilo, Saturnus (OTO) foi parar em um campo de concentração e Huiracocha (FRA) teve sua biblioteca e parte de seus bens confiscados pela Gestapo. O Dr. Krumm reconheceu que estava equivocado quanto às virtudes do “Hitlerismo”, percebeu que seria inviável valer-se do impulso nacional-socialista para divulgar o rosacrucianismo e tornou-se franco opositor do nazismo. É conhecendo esse contexto histórico que poderemos digerir bem algumas poucas passagens que nos causam repulsa e nos concentrarmos no que nos interessa: o método de alquimia interna que o Mestre revelou.

1937: Krumm-Heller altera o nome da Augusta Fraternidade Branca Rosa Cruz Antiga para Fraternitas Rosicruciana Antiqua. Em decorrência disso, no ano de 1940, o Estatuto da Augusta Fraternidade Branca Rosa Cruz Antiga no Brasil é alterado e passa a se chamar FRATERNITAS ROSICRUCIANA ANTIQUA.

Krumm-Heller e seu filho viaja da Alemanha para a América em 1937. O pai volta para a Alemanha em 1938, deixando Parsival no México para frequentar a escola. Parsival retornou à Alemanha em 1940, no chamado do dever alemão da guerra.

1939: foi criada a FUDOFSI (Fédération Universelle des Ordres Fraternités et Sociétés des Initiés) para ser um contra ponto da FUDOSI, liderada por Lewis da AMORC. Tinha como membros a FRA e FRC entre outras ordens. A FUDOFSI, que reconheceu a FRC (Fraternitas Rosae Crucis) - ao invés da AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis) - como a autêntica organização Rosacruz americana, com isso Clymer tentou reacender FUDOFSI após a morte de seu líder Constante Chevillon (1880-1944). Clymer foi considerado Supremo Grão-Mestre da FUDOFSI.

A fundação da F.U.D.O.S.I. em Bruxelas, em 1934, causou uma reação dentro do mundo das Ordens e Fraternidades. O F.U.D.O.S.I. alegou ser o protetor de todas as ordens iniciáticas verdadeiro e Sociedades. Pode-se facilmente imaginar a reação de todas as Ordens e Fraternidades que não estavam representados na convenção de 1934. Especialmente Constante Chevillon, diretor de numerosas ordens e sucessor de Jean Bricaud, não estava satisfeito com as decisões tomadas em Bruxelas em 1934. O resultado de todas as hostilidades foi a fundação da “FEDERATION UNIVERSELLE DES ORDRES SOCIETES ET FRATERNITES DES INITIES”, aka F.U.D.O.F.S.I. Esta Federação foi uma aliança principalmente entre Reuben Swinburne Clymer, chefe dos Fraternitatis Rosae Crucis, e constante Chevillon, chefe da Ordem Martinista de Lyon. 

A F.U.D.O.F.S.I. foi estabelecida sobretudo a agir contra Harvey Spencer Lewis. A primeira reunião do F.U.D.O.F.S.I. realizou-se em Paris em fevereiro de 1939. Os presentes: Reuben Swinburne Clymer, Alfred I. Afiado, Contagem Jean de Czarnomsky, Constant Chevillon, Henri-Charles Dupont, Henri Dubois, Raoul Fructus (ex-membro da FUDOSI), Andre Fayolle, Nauwelaerts, Laugenier, e Camille Savoir. Eles se juntaram posteriormente a Hans Rudolf Hilfiker-Dunn (herdeiro Reuss) e Arnoldo Krumm-Heller.

1939: Eclode a Guerra, Krumm-Heller se estabelece em Marburgo e torna-se diretor da Cruz Vermelha local. Seu filho, Parsival, em 1940, entra na escola nazista NAPOLA (juventude nazista).

Krumm-Heller permaneceu na Alemanha durante a maior parte da Segunda Guerra Mundial, em sua casa em Marburg. Marburg era uma cidade-universitária relativamente tolerantes e Krumm-Heller viveu lá, embora ele passivamente resiste aos nazistas, como colocar a bandeira mexicana acima da bandeira nazista em frente de sua casa. Durante a guerra, Krumm-Heller manteve um nível precário de contato com sua FRA na América do Sul por meio de contatos na Suécia. Quando os americanos marcharam em Marburg, Krumm-Heller os cumprimentou com entusiasmo, e foi apontado por eles como o diretor local da Cruz Vermelha. Assim que a guerra terminou, ele imediatamente retoma o contato com FRA.

1941: a FRA torna-se internacionalmente FRC. Tanto que existem almanaques para a nova designação da FRA. Os títulos da FRA e da FRC foram usados indiscriminadamente por grupos diversos; embora uma distinção: que a FRC, ao contrário da FRA, era contra a Lei de Thelema de Crowley.

1945: Carlotta, a segunda esposa de Krumm-Heller e mãe de Parsival, morre. Após, ele se casa novamente.

1949: Morre em 19 de Maio, aos 73 anos, em Marburg, Mestre Krumm-Heller, fundador da Fraternitas Rosicruciana Antiqua.

Este excelente trabalho de pesquisa foi feito pelo Membro da FRA  Acauã Silva, administrador do Grupo de Estudos Mestre Huiracocha, no Facebook, que recomendamos a todos. 


terça-feira, 20 de novembro de 2018

A Construção do Templo - IEOUA

Fomos conduzidos à convicção de que as vogais, para soar, constroem na boca miniaturas de espaços, instrumentos sonoros em cujo som e eco se torna audível a essência dos planetas. Sendo assim, caminhamos do menor para maior e reencontramos, na articulação do AEIOU, os elementos do edifício do Universo. Se quiséssemos erigir na Terra um edifício, não poderíamos começar pela abertura de uma porta. Isto só poderia constituir o ato final. Para tanto a série AEIOU não é apropriada

A obra divina do templo do corpo humano prevê que o ser humano represente uma espécie de coluna reta. O corpo como figura ereta - "I".

Além disso, o corpo possui paredes como uma casa; ele é limitado por sua epiderme. O corpo como figura limitada - "E".

É de modo comparável a uma abóbada que se forma a cabeça. Tanto em sua forma como em sua função, a cabeça isola o ser humano das adjacências. O corpo como figura fechada em si mesmo - "O".

No interior dos ossos longos formam-se espaços ocos e alongados, importantes para a vida sanguínea. Também o tronco é construído como uma cavidade em forma de tonel para abrigar os órgãos - por assim dizer, um salão alongado. O corpo como uma cavidade alongada - "U".

Finalmente são ainda necessárias aberturas, como que janelas e portas: boca, olhos, orelhas, etc. O corpo como uma figura que se abre - "A".

Em tempos antigos chegou-se à audaciosa opinião de que, mediante aquela sequência de fonemas, mediante IEOUA, poder-se-ia recriar o edifício universal, bastando apenas termos poder suficiente para isso.

(O Sentido da Palavra - Alfred Baur)

Postado  por Acauã Silva no Grupo de Estudos Mestre Huiracocha 

A Igreja Gnóstica de Mestre Huiracocha - Estudo 3 - Definições de Mestre

Mestre Huiracocha, em seu fantástico livro "A Igreja Gnóstica", define a Ecclesia nas seguintes palavras:

  "A Igreja Gnóstica é a igreja do Conhecimento.
          
           Colocamos esta premissa e gosraríamos de sentir uma tácita interrogação em cada um de nossos leitores.
          
           Conhecimento? Mas, conhecimento não é sabedoria? E se é sabedoria, já não dispomos de uma ampla ciência em todos os ramos do saber, como um largo campo de investigação e dotada de um tecnicismo moderno surpreendente?

          Responderíamos que nossos leitores têm razão. Mas, é que a sabedoria-conhecimento  a que nos referimos não é a encontrada nos livros, estudada página por página em uma obra texto. Isto está bem para as salas de aulas e centros oficiais de ensino. A Igreja é algo muito diferente; tem outro objetivo. É o lugar de oração, da reza íntima, da prece elevada à divindade, do recolhimento, da meditação, e é ali o lugar, de preferência, que temos para despertar, aumentar e ainda exaltar nossa própria sabedoria interna, aquela que é inerente ao nosso ego inferior que é o que verdadeiramente conhece...

           Gnosis, em consequência, vem a ser um conhecimento mais sutil e mais profundo de todas as verdades reveladas, dentro do campo religioso, vistas à luz dessas duas fontes que se chamam escritura e tradição. Segundo um iniciado da Idade Média, Gnosis é uma espécie de visão imediata da verdade, em oposiçõ à sabedoria adquirida pelo estudo.

            Daí que o gnóstico seja possuidor de uma revelação clara, precisa e especial das coisas divinas, se já ascendeu nas asas do Pleroma ou Pleniturde da Inteligência.

            As igrejas do positivismo religioso nada nos ensinaram de útil e prático a esse respeito, pois, tanto sua base quanto seus ensinamentos foram se degenerando em dogmas
indiscutíveis, os quais hoje formam a dura concha do pesado materialismo que padecem."

Que possamos refletir em suas palavras e estudar seu livro citado, pois nele encontraremos as diretrizes básicas para o entendimento da Igreja Gnóstica em geral e da gnosis em particular. 

Que as Rosas Floresçam na Cruz

Marcos Pagani


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Ecclesia Gnóstica de Mestre Huiracocha - Estudo 2 - O Evangelho Pistis Sophia


Para a Igreja Gnóstica da FRA, bem como para outros interessados, Mestre Huiracocha escreveu ,em 1931, o excelente livro "A Igreja Gnóstica", que consitui o texto básico onde devemos iniciar nossas pesquisas sobre a Ecclesia Gnóstica em geral e a Gnosis em particular. 

Neste post, vamos comentar sobre a origem e estrutura do Evangelho chamado PISTIS SOPHIA, que é para nossa Ecclesia, um Livro Sagrado, tomando por base o Livro do Mestre, bem como outros comentários por Frater Basilides R+

Conforme informa nosso Mestre, o Pistis Sophia "Trata-se de do livro máximo de todas as Doutrinas Gnósticas, publicado em latim no ano de 1851, por Schwartze e Petermann, de acordo com um código do Museu de Londres (British  Museum), chamado Askeniano, cuja antiguidade remonta ao sécuo III, ainda que alguns achem provável o século V. (Opus Gnosticum Valentino adjudicatum est Codice manuscrito Coptico Londinensi descripsit et latine vertit M.G. Schwartze)

O original grego desta obra, que serviu de base nos primeiros séculos, não pode ser encontrado. Só se tem o texto Saídico, que é uma tradução para o copta, do manuscrito primitivo. Quanto ao papiro copta, foi encontrado  no Egito, sem que nada pudesse testemunhar se o original grego foi composto, também, nessa localidade. Entretanto, todos os críticos concordam em que a obra provém de algumas das múltiplas escolas ou sociedades gnósticas primitivas, acreditando-se, mais ainda, que pertenceria aos ofitas".

Façamos aqui uma pausa no texto do Mestre para infrormar que nos dias de hoje, os estudiosos tendem a confirmar a informação dada por Schwartze (também Mead e MacDermont), de que o texto poderia pertencer especificamente à Escola Valentiniana ou mesmo ter sido composto pelo próprio Valentino. 

Continua o Mestre: "Divide-se em 148 capítulos e em quatro grandes partes ou livros. O primeiro e o quarto não levam títulos, enquanto o segundo intitula-se :'Segundo Livro da Pistis Sophia'. Apresenta, também, um rótulo no final que diz: 'Parte dos Volumes do Senhor'. Este mesmo rótulo volta a aparecer no final do terceiro livrro que, contudo, aparece sem cabeçalho".

O estudioso brasileiro Raul Branco, que é teósofo, em seu exelente livro Pistis Sophia - Os Mistérios de Jesus, Editora Bertrand Brasil, mostra um outro ponto de vista sobre o número de livros: "O texto propriamente dito está dividido em seis 'livros'. A estória da Pistis Sophia inicia-se no capítulo 30 do 'primeiro livro' e termina no capítulo 82 do 'segundo livro'. A partir deste ponto os ensinamentos de Jesus são apresentados na forma de diálogos com seus discípulos, destacando-se Maria Madalena, claramente o discípulo mais avançado do grupo....O material, quando foi encontrado, não tinha título aparente e ficou conhecido como Códice Askew, nome do primeiro proprietário ocidental, que o deu a conhecer ao mundo. O título Pistis Sophia foi sugerido para o documento pelo fato de o 'segundo livro' começar com o seguinte título: 'O Segundo Livro de Pistis Sophia.' Outro título é apresentado em outra parte do documento: 'Uma parte dos Livros do Salvador', que figura na página final do 'segundo livro' e também na última página do 'terceiro livro'. Os livros quatro, cinco e seis não apresentam nenhum título; no caso do último, talvez pelo fato de as quatro folhas finais do manuscrito estarem faltando, justamente aquelas onde, muitas vezes, se encontram os títulos das obras coptas". 





Tendo analisado as traduções em alemão existentes da Pistis Sophia, constatamos que a edição feita por Carl Schmidt, KOPTISCH-GNOSTICHE SCHRIFTEN - DIE PISTIS SOPHIA - DIE BEIDEN BÜCHER DES JEÚ -LIPZIG - 1905, que como vemos também possui os Livros de Jeú, o texto da Pistis Sophia é dividido apenas em capítulos, não fazendo referências a "livros", sendo essa uma divisão adotada por G.R.S. Mead, junto com capítulos. Temos certeza que a edição lida pelo Mestre foi essa, que é considerada a melhor tradução deste evangelho, tendo em vista que traz, entre parênteses, palavras chaves em grego, onde se pode trabalhar as chaves numerológicas do texto, o que não é possível em uma tradução, sem referências. Assim, a divisão em quatro livros, feita por Krumm-Heller, não está errada, apenas ao distribuir os assuntos por capítulos, tendo por base os títulos das partes que eram conhecidos, optou por quatro e não seis partes. 


Continua nosso querido Mestre: "Esta falta de homogeneidade é que faz  com que alguns críticos suponham que a Pistis Sophia não foi composta de acordo com uma estrutura unitária e que a maior parte dos seus escritos sejam de épocas diferentes. Por isso o Quarto Livro é mais antigo que os outros. 

Isso é uma chave muito importante. Alguns estudiosos têm encontrado uma coerência maior no texto quando iniciam a leitura do Pistis Sophia pelo "Quarto Livro" (divisão de Krumm-Heller), que fala sobre  a sorte das Almas no além morte.

Continua o Mestre, iniciando sua descrição da obra: "Ao escrever-se esta obra, supõe-se que hajam transcorridos onze anos desde a ressurreição de Jesus e se descreve conservando com seus discípulos no Monte das Oliveiras, dando-lhes a conhecer as grandes e supremas verdades iniciáticas. Com a vestimenta de Luz que o rodeava, pode atravessar o mundo supre-sensível e, remontando-se de esfera em esfera, foram-lhe franqueadas todas as portas, atemorizando os próprios Arcontes ou Gurdiões daqueles lugares, que o adoraram".

"Jesus chega ao plano onde estão os Arcontes ou Senhores Tiranos, cujo príncipe é Adamas. Eles vêm a ser os donos do destino (Lipikas ou Senhores do Carma do Teósofos). Mas, Jesus, provido do habitual heroísmo, chega ao 13º Eon, onde se encontrava estacionada primitivamente a Pistis Sophia...Em relação a isto, confia a seus discípulos a história deste ser misterioso que, pretendendo chegar à região da Luz Suprema, atravessando os doze Eones, sai de sua morada limitada pelo 13º Eon e, ao acender em seu vôo, é atirada pelos mesmos Arconte na imensidão do Caos".

Tal era a triste situação da Pistis, até que o Pai lhe enviou Jesus como Libertador ...Jesus, então, apela a Gabriel e Miguel, para que a levem em suas mãos com a finalidade de que nenhuma de suas partes se perca nas trevas, transladando-a, assim, do Caos para um lugar que se encontra abaixo do 13º Eon. Por fim, depois de uma cruenta luta, Jesus despoja os Arcontes de sua Luz e a Pistis Sophia é conduzida ao Lugar Sagrado, onde mora, desde então, com todos os seus irmãos invisíveis...

Todo este Mito é dado em detalhes, como dito anteriormente, entre o capítulo 30 e 82. Raul Branco, em seu citado livro nos informa: " Por que Jesus nos transmite ensinamentos tão profundos através de um Mito? Obviamente porque esta é a forma tradicional mais apropriada para ministrar este tipo de ensinamento transformador....Isto parece indicar que por trás do mito há sempre uma importante experiência interior...A realidade, no entanto, apresenta-se hierarquizada e consiste de diferentes níveis. Os mitologemas procuram expressar diferentes níveis da realidade simultaneamente...No decorrer do relato, é apresentado um glorioso cenário que nos permite vislumbrar o processo de manifestação, com a descida do Espírito até o ponto mais baixo da materialidade quando, então, se torna possível a viagem de retorno, ou seja a volta da alma às origens, a Fonte ùnica, o Pai. "

Continua o Mestre: "Na história de Pistis Sophia, o relato se interrompe repetidas vezes com o recitativo de vários hinos que ela fazia chegar do Caos à Luz. Estes são 13 e cada vez que Jesus recita um deles aos seus discípulos, convida-os a dar sua explicação. 

Para dar uma noção destes cânticos, sumarizamos abaixo cada um dos Arrependimentos de Sophia: (tirado do Livro "Mistérios Gnósticos da Pistis Sophia - Considerações sobre o Livro I da Pistis Sophia "de J. van Rijckenborgh - Editora Rosacruz, do Lectorium Rosicruciano.)

  1. No Primeiro Cântico, a Pistis Sophia descobre a dialética e o estado de condenação da humanidade. Entoa o Cântico da Humanidade.
  2. No Segundo Cântico, A Pistis Sophia descobre sua própria condição natural. Ela entoa o Cântico da Consciência.
  3. Nessa base, a Pistis Sophia entoa o Cântico da Humildade diante da única Luz Verdadeira. 
  4. Segue-se, então, o Cântico da Demolição: o eu é levado à sepultura. 
  5. O Cântico da Rendição é a fase seguinte: A Pistis Sophia faz a entrega total de si mesma. 
  6. Nesta base é entoado o Cântico da Confiança. Ela implora pela Luz com fé absoluta.
  7. No Sétimo Cântico de Arrependimento, a Pistis Sophia entoa o Cântico da Decisão. É a ascensão ou a queda.
  8. Em seguida começa a perseguição. Os Eons da netureza atacam a Pistis Sophia de maneira vigorosa, e ela entoa o Cântico da Perseguição.
  9. Depois de entoar o Cântico da Ruptura, a Pistis Sophia se livra de modo definitivo de seus perseguidores.
  10. A seguir a Pistis Sophia entoa o Cântico do Atendimento da Oração. E pela primeira vez, ela vê a Luz das Luzes.
  11. A força da fé é submetida, então, a uma prova final. A Pistis Sophia entoa o Cântico da Prova de Fé.
  12. Em décimo segundo lugar, a Pistis Sophia vicencia a Grande Prova que podemos comparar à tentação no deserto.Ela entoa o Cântico da Grande Prova.
  13. Por fim a Pistis Sophia canta o décimo terceiro Cântico de arrependimento, o Cântico da Vitória: a alma eleva-se, reconhece o Espírito e vai ao seu encontro, ao seu Pimandro. 
Pode assim, o buscador, perceber que estes cânticos constituem um detalhado "Caminho de Iniciação Gnóstica", dado neste Sagrado Livro de nossa Sagrada Ecclesia.

Continua o Mestre Huiracocha: "Com frequência falam as santas mulheres, Maria ou Salomé. Outras vezes, algum apóstolo, como André, Pedro, Mateus ou Felipe, os quais interpretam os hinos da Pistis, adicionando algum salmo de Davi ou Salomão. 

É uma característica dos gnósticos coptas não procurar outra autoridade para confirmar seus escritos a não ser as Sagradas Escrituras; e se algum sincretismo se observa neles, é mais na forma do que nas idéias.

Depois, este livro, trata da sorte que espera as Almas além da morte, revelando-nos o que acontecerá a cada uma das diferentes categorias de homens; as alegrias e privilégios que aguardam uns, o os tormentos e penas que afligirão a outros. Seu tema principal é, pois, a redenção das almas...

Na primeira parte, ocupa-se da sorte das almas privilegiadas, isto é, dos apóstolos, das santas mulheres e dos perfeitos ou iniciados, que haviam renunciado à materia e aos cuidados dente mundo.

Na segunda, revela o destino reservado às outras almas, especialmente às que se arrependem de seus pecados. Depois, vem uma outra parte, em que trata dos MISTÉRIOS e de sua eficácia. Finalmente chega-se àquela em que se descrevem os tormentos dos condenados...

Veremos, mais tarde, que o principal são os MISTÉRIOS e que tudo o mais gira em seu redor. 

No 'Quarto Livro', fala-se da ressurreição de Jesus, de quem se diz que venceu os Arcontes do Destino e da Fatalidade cuja sombra nefasta deixará de pesar , daí em diante, sobre os homens...Aqui Jesus relata a seus discípulos as façanhas destes Arcontes, filho de Adamas, os quais, persistindo em seu afã de procriar, deram origem aos Arcanjos, Anjos, Litirgos e Decanos, até que interveio Jeú, a quem Jesus chamava PAI DE MEU PAI. Jabraoth Adamas e os seus se obstinaram em seu pecado; por isso se prendeu à Esfera onde atualmente foram parte do Zodíaco, vindo estes a ser os Arcontes do Destino, os quais tiranizam os homens cujos passos a astrologia trata ee investigar.

Continua, ainda, a descrição do modo torturante como os Arcontes penetram nos homens e os incitam ao mal, atraindo sobre eles terríveis castigos e perdição absoluta

Até aqui, eis o quanto se pensa profanamente e se percebe dos ensinamentos deste livro sagrado sobre o qual historiadores e investigadores não podem se aprofundar por falta de chaves. 

Terminamos aqui este post, refletindo sobre a origem e estrutura deste maravilhoso evangelho, base dos ensinamentos da Ecclesia Gnóstica da FRA, sendo que  "Nesta Obra sagrada estão condensados todos os nossos Rituais", como diz Krumm-Heller em seu importante livro.

O Grupo de Estudos Krumm-Heller, que vê na Ecclesia Gnóstica o coroamento dos trabalhos da FRA, preserva os ensinamentos deixados pelo Mestre Huiracocha, estudando seu livro sobre a Igreja Gnóstica, aliado ao estudo do Pistis Sophia, estando e m andamento um projeto de tradução deste evangelho com as chaves numerológicas devidamente explicadas, bem como uma tradução dos Livros de Jeú, inédita em português, pois,  este incrível livro gnóstico nos proporciona não só as chaves mântricas para ultrapassar cada Eon, como também as chaves dos símbolos destes Eons. 

Tendo por base as edições alemães do princípio do século XX, temos a certeza de estarmos em sintonia  com a tradição Gnóstica legada por nosso Mestre Huiracocha, porque, sem dúvida foram nelas que ele buscou e alcançou sua iniciação. 

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Marcos Pagani


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Sobre la Fraternitas Rosicruciana Antiqua.

Ao reproduzirmos aqui este artigo, com a devida permissão do falecido, querido Irmão Prisciiano II (Pablo Mattos) da Argentina, é lícito esc...

 
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